Dra. Louise Verdolin Gastroenterologista

Dra. Louise Deluiz Verdolin Di Palma fala ao Terra sobre sintomas silenciosos da gordura no fígado

A gastroenterologista Dra. Louise Deluiz Verdolin Di Palma, do Hospital Samaritano Barra, participou como especialista de uma matéria publicada no portal Terra sobre os sintomas silenciosos da gordura no fígado, condição conhecida na medicina como esteatose hepática.

Na entrevista, a médica explicou por que essa condição merece atenção: em muitos casos, a gordura no fígado não provoca sinais claros no início e pode ser descoberta apenas durante exames solicitados por outros motivos, como uma ultrassonografia abdominal de rotina.

Segundo a Dra. Louise, a maior parte dos pacientes com esteatose hepática é assintomática. Quando os sintomas aparecem, eles costumam ser inespecíficos, ou seja, podem ser confundidos com queixas comuns do dia a dia, como cansaço, estresse, sedentarismo ou desconfortos digestivos passageiros.

A participação da especialista na reportagem reforça uma mensagem importante: a gordura no fígado pode evoluir de forma silenciosa, mas o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado podem mudar completamente o curso da doença.

O que é gordura no fígado?

A gordura no fígado, ou esteatose hepática, acontece quando há acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. De forma geral, considera-se esteatose quando mais de 5% das células do fígado apresentam acúmulo de gordura.

Essa condição pode estar associada a diferentes fatores, como obesidade, diabetes, colesterol alto, alterações metabólicas, sedentarismo e consumo de álcool. Por isso, ela deve ser avaliada de maneira individualizada, considerando o histórico clínico e os exames de cada paciente.

Embora muitas pessoas associem problemas no fígado apenas ao consumo excessivo de bebida alcoólica, a esteatose hepática também pode ocorrer em pacientes que não bebem ou consomem álcool em pequena quantidade. Nesses casos, fatores metabólicos costumam ter papel importante.

Por que a gordura no fígado é considerada silenciosa?

Um dos principais pontos abordados pela Dra. Louise na matéria do Terra é que a esteatose hepática costuma ser silenciosa. Isso significa que a pessoa pode apresentar acúmulo de gordura no fígado sem perceber alterações evidentes no corpo.

Muitas vezes, o diagnóstico acontece de forma incidental, quando o paciente realiza exames por outro motivo. Essa característica torna a busca ativa ainda mais importante, especialmente em pessoas com fatores de risco, como excesso de peso, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças hepáticas.

Outro ponto relevante citado pela especialista é que os exames laboratoriais podem estar normais mesmo em pacientes com gordura no fígado. De acordo com a reportagem, dois terços dos pacientes com a doença apresentam enzimas hepáticas normais.

Na prática, isso significa que a ausência de alterações em exames de sangue não exclui, sozinha, a possibilidade de esteatose hepática. A avaliação médica deve considerar o conjunto de informações clínicas, laboratoriais e de imagem.

Quais sintomas podem estar associados à gordura no fígado?

Quando os sintomas aparecem, eles geralmente não são específicos do fígado. Por isso, podem passar despercebidos ou ser atribuídos a outras causas.

Na entrevista ao Terra, a Dra. Louise destacou cinco sintomas que podem estar relacionados ao quadro:

  • fadiga;
  • mal-estar geral;
  • desconforto ou dor vaga no lado superior direito do abdome;
  • sensação de plenitude abdominal;
  • coceira.

A fadiga é um bom exemplo de sintoma inespecífico. Cansaço frequente pode estar ligado a estresse, rotina intensa, sono ruim, sedentarismo e diversas outras condições. Por isso, é comum que o paciente não relacione esse sinal a uma possível alteração hepática.

Justamente por essa falta de sintomas característicos, a avaliação com um especialista é fundamental para diferenciar a gordura no fígado de outras causas de desconforto abdominal, alterações digestivas ou mudanças nos exames.

Pele amarelada, urina escura e fezes claras aparecem no início?

Muitas pessoas acreditam que toda doença no fígado causa rapidamente pele amarelada, olhos amarelados, urina escura ou fezes claras. No entanto, no caso da esteatose hepática, esses sinais geralmente não aparecem nas fases iniciais.

Na reportagem, a Dra. Louise explicou que esses sinais clássicos de doença hepática costumam surgir apenas em fases mais avançadas, quando o paciente já pode ter evoluído para um quadro de cirrose hepática descompensada.

Esse é um dos motivos pelos quais esperar sintomas intensos pode ser perigoso. Quando manifestações como icterícia, ascite, confusão mental ou sangramentos aparecem, pode haver dano estrutural importante no fígado.

Quando a gordura no fígado pode se tornar grave?

A gordura no fígado pode ser reversível, principalmente quando identificada nos estágios iniciais. No entanto, quando não acompanhada ou tratada adequadamente, pode evoluir para inflamação, fibrose e cirrose hepática.

A fibrose funciona como uma espécie de cicatriz no fígado. Ela surge quando o órgão sofre agressões contínuas ao longo do tempo. Conforme essa cicatrização progride, o fígado pode perder parte da sua capacidade de funcionamento.

Entre os sinais associados a fases avançadas da doença hepática estão:

  • icterícia, caracterizada por pele e olhos amarelados;
  • ascite, que é o acúmulo de líquido no abdome;
  • encefalopatia hepática, que pode causar confusão mental;
  • sangramento gastrointestinal, muitas vezes relacionado a varizes no trato digestivo.

Essas manifestações indicam que a doença já pode ter alcançado um estágio mais grave. Por isso, o foco deve estar na prevenção, no rastreamento adequado e no tratamento precoce.

Gordura no fígado tem tratamento?

Sim. A gordura no fígado tem tratamento e, em muitos casos, pode ser revertida. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar a doença e evitar sua progressão.

Na entrevista ao Terra, a Dra. Louise destacou que a perda de peso maior ou igual a 10% pode contribuir para a resolução da esteatohepatite em até 90% dos pacientes e para a regressão da fibrose em 45%.

O tratamento de primeira linha envolve mudanças no estilo de vida, especialmente alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle de fatores metabólicos, como diabetes, colesterol e triglicerídeos elevados.

A recomendação citada pela especialista inclui de 150 a 300 minutos por semana de exercício aeróbico de intensidade moderada ou de 75 a 150 minutos por semana de atividade vigorosa.

Em alguns casos, medicamentos também podem ser considerados. Essa decisão deve ser individualizada e depende de fatores como o grau de fibrose, a presença de inflamação, doenças associadas e o perfil clínico do paciente.

Por que o acompanhamento com gastroenterologista é importante?

O acompanhamento médico é essencial porque a gordura no fígado não deve ser tratada como um achado sem importância. Mesmo quando o paciente não sente nada, a doença pode exigir monitoramento e mudanças na rotina.

O gastroenterologista pode avaliar exames, investigar fatores de risco, solicitar testes complementares quando necessário e orientar um plano de cuidado personalizado.

Mais do que tratar sintomas, o objetivo é entender o estágio da doença, reduzir o risco de progressão e preservar a saúde do fígado no longo prazo.

A participação da Dra. Louise na matéria do Terra

Ao participar da reportagem publicada no portal Terra, a Dra. Louise Deluiz Verdolin Di Palma contribuiu para ampliar o acesso da população a informações confiáveis sobre uma condição muito prevalente e, ao mesmo tempo, muitas vezes negligenciada.

A entrevista reforça a importância de olhar para sintomas aparentemente simples com mais atenção, principalmente quando existem fatores de risco metabólico. Cansaço persistente, desconforto abdominal, sensação de estufamento e alterações em exames devem ser avaliados com critério.

A principal mensagem é clara: a gordura no fígado pode ser silenciosa, mas não deve ser ignorada.

Com diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e mudanças adequadas no estilo de vida, é possível reduzir riscos, tratar a condição e evitar complicações futuras.

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Fonte: conteúdo baseado na entrevista da Dra. Louise Deluiz Verdolin Di Palma ao portal Terra, na matéria “Os 5 sintomas de gordura no fígado que costumam não ser notados”, publicada em 12 de abril de 2026.

Sobre a autora

Dra. Louise Verdolin
Dra. Louise Verdolin

CRM 52-90806-1 · RQE 23866

Sou gastroenterologista, formada pela UNIRIO, com residência pela UFF. Atuo com foco em cuidado humanizado e informação em saúde digestiva.

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