Síndrome do Intestino Irritável
A síndrome do intestino irritável (SII) é uma desordem funcional do trato gastrointestinal, muito debilitante que afeta cerca de 9%-23% da população ao redor do mundo. Estima-se, nos EUA, Reino Unido e Canada que ela seja causa de 4.4%–4.8% encaminhamentos ao gastroenterologista. Geralmente acomete mais mulheres e pacientes com menos de 50 anos de idade.
A fisiopatologia da SII ainda não é completamente clara.
Tradicionalmente, a SII está associada a:
- Hipersensibilidade visceral: Desconforto e dor abdominal.
- Distúrbios motores gastrointestinais: Diarreia e/ou constipação.
Alguns estudos sugerem que essas anormalidades são causadas por distúrbios emocionais, mas nem todos os pacientes trazem esse motivo como gatilho.
Algumas explicações para a causa são:
Pós infecciosa
Aproximada 1 a cada 10 pacientes com SII desenvolveram a doença após um gatilho infeccioso que funcionaria como uma ativação imune do trato gastrointestinal. Os fatores de risco para desenvolvimento de SII pós infecciosa são: duração prolongada da infecção, toxicidade da infecção bacteriana, fumo, sexo feminino, hipocloridria e eventos adversos da vida precedendo a infecção em 3 meses.
Desregulação Serotoninérgica
A serotonina tem um papel fundamental na motilidade, secreção e sensações do trato gastrointestinal. Alguns pacientes com constipação tem redução plasmática da serotonina enquanto os que tem diarreia tem um aumento. Por isso, a SII muitas vezes está associada a desordens emocionais como depressão, ansiedade, pânico e transtornos de stress pós traumático.
Supercrescimento bacteriano
Esta patologia está muito presente em pacientes com SII e pode contribuir para muitos sintomas, mas não há estudos que confirmem que o supercrescimento é uma causa da doença.
Desregulação do eixo cérebro-intestino
O sistema nervoso central e o intestino estão interligados. Pacientes com SII têm uma desregulação desse eixo, sendo mais sensíveis a reflexos dolorosos.
Genética
Ainda não há descrição de um gene responsável pela SII, mas a hipótese atual é que fatores ambientais desempenhem um papel importante em indivíduos geneticamente predispostos.
Diagnóstico:
Muitos pacientes me perguntam…
Existe algum exame capaz de fechar o diagnóstico da SII?
Não.
O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, um consenso de diagnósticos e condutas realizado por especialistas internacionais sobre doenças funcionais.
Critérios ROMA IV
Dor abdominal recorrente em média pelo menos 1 vez por semana nos últimos 3 meses associada a 2 ou mais dos seguintes:
- Relacionada à defecação;
- Associada com alteração na frequência de evacuação;
- Associada com alteração na forma (aspecto) das fezes.
Os critérios devem ser preenchidos nos 3 últimos meses com início dos sintomas há pelo menos 6 meses.
Ela tem classificação em subgrupos conforme a aparência das fezes.
SII com diarréia
Mais comum no sexo masculino, ocorre em até um terço dos casos. Alternância entre fezes amolecidas (> 25%) e fezes endurecidas (<25%);
SII com constipação
Mais comum no sexo feminino, ocorre em até um terço dos casos. Alternância entre fezes endurecidas (> 25%) e fezes amolecidas (< 25%);
SII com hábito misto ou padrão cíclico
Presentes em um terço a um quarto dos casos. Fezes endurecidas e amolecidas em mais de 25% do tempo.
SII indeterminada
Não consegue estabelecer um padrão.
A SII é uma condição complexa e multifatorial. Se você suspeita que pode ter SII, consulte um gastroenterologista para um diagnóstico e tratamento adequados.
Atendimento especializado em gastroenterologia na Tijuca e Barra da Tijuca. Agende sua consulta e cuide da sua saúde digestiva com acompanhamento humanizado e responsável.
Sobre a autora
Dra. Louise Verdolin
CRM 52-90806-1 · RQE 23866
Sou gastroenterologista, formada pela UNIRIO, com residência pela UFF. Atuo com foco em cuidado humanizado e informação em saúde digestiva.
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Refluxo gastroesofágico: medidas comportamentais que ajudam de verdade
O texto reforça que tratar refluxo não é sinônimo de viver refém de remédio. O jogo vira quando o paciente entende que o pilar mais consistente do controle da DRGE está nas mudanças de hábitos, com diagnóstico bem amarrado por especialista e medicação entrando como apoio quando necessário (e geralmente por tempo definido).
Na prática, o artigo consolida as recomendações da diretriz brasileira (FBG/2024): perda de peso quando há sobrepeso/obesidade (reduz pressão no abdômen e melhora a função do esfíncter), elevar a cabeceira (~15 cm) para reduzir sintomas noturnos, parar de fumar e reduzir/cessar álcool por impacto direto na válvula e na acidez. Também orienta não deitar logo após comer (esperar 2–3 horas), ajustar gatilhos alimentares (cada paciente tem o seu “mapa” de piora) e evitar deitar do lado direito, posição que favorece o retorno do ácido.

Como posso ter dor no estômago se minha endoscopia é normal?
Aqui a mensagem central é super didática: dá, sim, pra ter dor/queimação/desconforto no estômago com endoscopia normal — e, em grande parte dos casos de dispepsia, isso aponta para dispepsia funcional (idiopática/não ulcerosa), que responde por cerca de 75% a 80% dos quadros. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história e nos critérios de sintomas.
O artigo lista os sintomas mais comuns: plenitude pós-prandial (estômago “cheio” após comer), saciedade precoce, dor epigástrica e queimação. Para fechar o raciocínio, reforça a linha do tempo (sintomas iniciados há pelo menos 6 meses e presentes nos últimos 3). Também mapeia fatores de risco/associação: maior ocorrência em mulheres, adultos jovens, tabagismo, IMC elevado, histórico de gastroenterite aguda (dispepsia pós-infecciosa) e comorbidades psiquiátricas como ansiedade/depressão/somatização. Fecha com um direcionamento bem “plano de ação”: existe tratamento combinando ajustes de estilo de vida, medicações e, quando indicado, suporte psicológico — e o paciente não deve normalizar sintomas crônicos.

Azia crônica: quando procurar ajuda?
O artigo enquadra a azia crônica como um sinal comum da DRGE, com impacto relevante em qualidade de vida e risco de complicações. Ele diferencia bem sintomas típicos (azia, regurgitação, dor/desconforto torácico) e atípicos (tosse seca noturna, rouquidão, dor de garganta recorrente, sensação de “bolo na garganta”, piora de asma e mau hálito), mostrando que refluxo pode se “disfarçar” e confundir.
Em termos de investigação, explica que o diagnóstico pode ser clínico em muitos casos, mas quando é preciso aprofundar entram exames como a endoscopia (avalia gravidade e complicações como estenose e esôfago de Barrett). E traz um ponto-chave: endoscopia normal não exclui refluxo, porque existe DRGE não erosiva. Nessa linha, a pHmetria de 24h aparece como exame “padrão ouro” para correlacionar acidez, frequência/duração do refluxo e sintomas no dia a dia. Fechamento bem direto: evitar automedicação e procurar avaliação especializada é o caminho para ajustar tratamento e reduzir risco no longo prazo.


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