Representação visual de uma pessoa sentindo desconforto e queimação retroesternal (azia), ilustrando os sintomas da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e a importância do diagnóstico médico especializado para evitar complicações.

Como posso ter dor no estômago se minha endoscopia é normal?

Como posso ter dor no estômago se minha endoscopia é normal?

A dispepsia, aquela sensação de dor, queimação ou desconforto no estômago, é um sintoma muito comum. Embora possa comprometer de forma significativa a qualidade de vida, muitos pacientes não procuram atendimento médico e convivem cronicamente com os sintomas. A dispepsia pode ter várias causas diferentes, o que chamamos de diagnósticos diferenciais.

Entre as pessoas que sofrem de dispepsia, cerca de 75% a 80% têm a forma funcional — também chamada de dispepsia idiopática ou não ulcerosa. Ou seja, não há evidência de danos estruturais ao estômago para justificar os sintomas. O paciente faz uma endoscopia e ela vem completamente normal. Isso, muitas vezes, deixa o paciente desapontado, afinal ele sente a dor e espera que o exame confirme o que está sentindo. Então, como fazemos esse diagnóstico? Através da história clínica do paciente.

Sintomas

A dispepsia funcional é definida pela presença de um ou mais sintomas, como:

  • Sensação de estômago cheio após comer (plenitude pós-prandial): desconforto e sensação de “peso” após as refeições.
  • Saciedade precoce: comer pouco e já se sentir satisfeito.
  • Dor epigástrica: dor no “alto do abdômen”, na região do estômago.
  • Queimação na região do estômago: sensação de ardor/queimação na parte superior do abdômen.

Para o diagnóstico, os sintomas devem ter começado pelo menos seis meses antes e ter ocorrido durante os últimos três meses.

Fatores de risco

Quais são os fatores de risco para o aparecimento dessa doença?

  • Sexo feminino: mulheres apresentam maior predisposição.
  • Idade jovem: é mais frequente em adultos jovens.
  • Tabagismo: o cigarro irrita o estômago e favorece sintomas.
  • Índice de massa corporal elevado (sobrepeso/obesidade): pode contribuir para piora dos sintomas gastrointestinais.
  • Gastroenterite aguda: a associação entre gastroenterite aguda e o desenvolvimento posterior de dispepsia funcional está bem estabelecida. A prevalência de dispepsia funcional pós-infecciosa em adultos é de aproximadamente 10% a 13%.
  • Comorbidades psiquiátricas: ansiedade, somatização e depressão estão associadas ao aparecimento da dispepsia funcional.

Tratamento

A dispepsia funcional tem tratamento, combinando mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, suporte psicológico.

Por isso, não ignore seus sintomas. É importante buscar atendimento especializado para ter um diagnóstico preciso e um tratamento direcionado.

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Bibliografia

  1. Hantoro IF, Syam AF, Mudjaddid E, Setiati S, Abdullah M. Factors associated with health-related quality of life in patients with functional dyspepsia. Health Qual Life Outcomes. 2 de maio de 2018;16(1):83.
  2. Stanghellini V, Chan FKL, Hasler WL, Malagelada JR, Suzuki H, Tack J, et al. Gastroduodenal Disorders. Gastroenterology. maio de 2016;150(6):1380–92.
  3. Futagami S, Itoh T, Sakamoto C. Systematic review with meta-analysis: post-infectious functional dyspepsia. Aliment Pharmacol Ther. janeiro de 2015;41(2):177–88.
  4. Dibaise JK, Islam RS, Dueck AC, Roarke MC, Crowell MD. Psychological distress in Rome III functional dyspepsia patients presenting for testing of gastric emptying. Neurogastroenterol Motil. fevereiro de 2016;28(2):196–205.

Sobre a autora

Dra. Louise Verdolin
Dra. Louise Verdolin

CRM 52-90806-1 · RQE 23866

Sou gastroenterologista, formada pela UNIRIO, com residência pela UFF. Atuo com foco em cuidado humanizado e informação em saúde digestiva.

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O texto reforça que tratar refluxo não é sinônimo de viver refém de remédio. O jogo vira quando o paciente entende que o pilar mais consistente do controle da DRGE está nas mudanças de hábitos, com diagnóstico bem amarrado por especialista e medicação entrando como apoio quando necessário (e geralmente por tempo definido).

Na prática, o artigo consolida as recomendações da diretriz brasileira (FBG/2024): perda de peso quando há sobrepeso/obesidade (reduz pressão no abdômen e melhora a função do esfíncter), elevar a cabeceira (~15 cm) para reduzir sintomas noturnos, parar de fumar e reduzir/cessar álcool por impacto direto na válvula e na acidez. Também orienta não deitar logo após comer (esperar 2–3 horas), ajustar gatilhos alimentares (cada paciente tem o seu “mapa” de piora) e evitar deitar do lado direito, posição que favorece o retorno do ácido.

Representação visual de uma pessoa sentindo desconforto e queimação retroesternal (azia), ilustrando os sintomas da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e a importância do diagnóstico médico especializado para evitar complicações.
Como posso ter dor no estômago se minha endoscopia é normal?

Aqui a mensagem central é super didática: dá, sim, pra ter dor/queimação/desconforto no estômago com endoscopia normal — e, em grande parte dos casos de dispepsia, isso aponta para dispepsia funcional (idiopática/não ulcerosa), que responde por cerca de 75% a 80% dos quadros. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na história e nos critérios de sintomas.

O artigo lista os sintomas mais comuns: plenitude pós-prandial (estômago “cheio” após comer), saciedade precoce, dor epigástrica e queimação. Para fechar o raciocínio, reforça a linha do tempo (sintomas iniciados há pelo menos 6 meses e presentes nos últimos 3). Também mapeia fatores de risco/associação: maior ocorrência em mulheres, adultos jovens, tabagismo, IMC elevado, histórico de gastroenterite aguda (dispepsia pós-infecciosa) e comorbidades psiquiátricas como ansiedade/depressão/somatização. Fecha com um direcionamento bem “plano de ação”: existe tratamento combinando ajustes de estilo de vida, medicações e, quando indicado, suporte psicológico — e o paciente não deve normalizar sintomas crônicos.

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Em termos de investigação, explica que o diagnóstico pode ser clínico em muitos casos, mas quando é preciso aprofundar entram exames como a endoscopia (avalia gravidade e complicações como estenose e esôfago de Barrett). E traz um ponto-chave: endoscopia normal não exclui refluxo, porque existe DRGE não erosiva. Nessa linha, a pHmetria de 24h aparece como exame “padrão ouro” para correlacionar acidez, frequência/duração do refluxo e sintomas no dia a dia. Fechamento bem direto: evitar automedicação e procurar avaliação especializada é o caminho para ajustar tratamento e reduzir risco no longo prazo.